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Dr. Douglas Soares ToméAgendar no WhatsApp

Medicina do sono

Insônia, sono não reparador, parassonias e alterações do ritmo do sono.

O sono é um dos primeiros sistemas a se alterar quando algo não vai bem — e também uma das causas mais subestimadas de sintomas que se atribuem a outras coisas. Cansaço permanente, irritabilidade, dificuldade de concentração e queixas de memória frequentemente têm origem no sono, e não em um quadro psiquiátrico primário.

Por outro lado, a alteração do sono também é sintoma central de vários quadros psiquiátricos. Investigar em qual dos dois sentidos a relação está funcionando é o objetivo da avaliação.

Queixas mais comuns

Insônia — dificuldade para iniciar o sono, para mantê-lo ao longo da noite, ou despertar precoce sem conseguir voltar a dormir. A insônia pode ser um quadro em si ou parte de outro quadro, e essa diferença muda o tratamento.

Sono não reparador — dormir as horas necessárias e acordar como se não tivesse dormido. Costuma indicar que a qualidade do sono está comprometida, e leva à investigação de causas como apneia do sono e uso de substâncias.

Parassonias — comportamentos anormais durante o sono: falar dormindo, sonambulismo, pesadelos vívidos e recorrentes, movimentos involuntários. Algumas parassonias são benignas; outras merecem investigação, principalmente quando começam na vida adulta.

Alterações do ritmo do sono — quando o sono acontece, mas em horários deslocados do que a rotina exige. É comum em adolescentes, em quem trabalha em turnos e em pacientes idosos, e o manejo é diferente do da insônia.

Avaliação

A consulta investiga o padrão de sono ao longo das 24 horas — horários, tempo até adormecer, despertares, cochilos, o que acontece antes de deitar —, os hábitos que influenciam o sono, o uso de cafeína, álcool, nicotina e medicações, e a presença de sinais que sugiram outras condições, como ronco importante e pausas respiratórias observadas por quem dorme junto. Também são investigados quadros psiquiátricos associados, porque depressão, ansiedade e uso de substâncias alteram o sono de formas características.

Quando indicado, o caso é encaminhado para exames específicos do sono ou avaliação de outras especialidades.

Tratamento

Para a insônia crônica, a abordagem de primeira linha com melhor evidência é a terapia cognitivo-comportamental para insônia — um protocolo estruturado, diferente de recomendações genéricas de higiene do sono. Medidas de higiene do sono ajudam, mas raramente resolvem sozinhas uma insônia já instalada.

O tratamento medicamentoso é indicado conforme o caso, com atenção especial ao tempo de uso: medicações para dormir usadas por longos períodos, sem revisão, criam problemas próprios. Quando há um quadro psiquiátrico associado, tratá-lo costuma ser o que efetivamente melhora o sono.

Perguntas frequentes

Quantas horas por noite eu deveria dormir?

A necessidade varia entre pessoas, e a maioria dos adultos precisa de algo entre sete e nove horas. O parâmetro mais útil não é o número em si, e sim como você funciona durante o dia: sonolência, cansaço e dificuldade de concentração indicam que o sono não está suficiente ou não está sendo reparador.

Tomo remédio para dormir há anos. Isso é problema?

Vale uma revisão. Algumas medicações usadas para dormir têm potencial de tolerância e dependência e não foram feitas para uso prolongado. A revisão avalia se ainda há indicação, se existe alternativa melhor e como fazer qualquer ajuste com segurança — o que não deve ser feito por conta própria.

Higiene do sono resolve a insônia?

Ajuda, mas geralmente não é suficiente sozinha quando a insônia já está instalada. O tratamento com melhor evidência nesses casos é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, associada ou não a medicação.

Ronco alto precisa ser investigado?

Ronco intenso, sobretudo com pausas respiratórias percebidas por quem dorme junto e sonolência durante o dia, pode indicar apneia do sono — uma condição com repercussões clínicas importantes que merece investigação específica.