Pular para o conteúdo
Dr. Douglas Soares ToméAgendar no WhatsApp

Transtornos de humor

Depressão e transtorno bipolar: definição diagnóstica, tratamento e prevenção de novos episódios.

Transtornos de humor são condições em que a alteração do humor deixa de ser uma reação passageira e passa a organizar o funcionamento da pessoa — a energia, o sono, o apetite, a concentração, a capacidade de sentir prazer e de trabalhar. São quadros clínicos, com curso e tratamento próprios.

Depressão

Depressão não é sinônimo de tristeza. O que define o quadro é a persistência e o conjunto: humor deprimido ou perda de interesse pelas coisas na maior parte do dia, por semanas, acompanhados de alterações de sono, de apetite, de energia, de concentração, sentimento de culpa ou de inutilidade, lentidão ou inquietação.

Em parte dos casos o sintoma mais visível não é a tristeza, e sim a irritabilidade — pavio curto, impaciência com coisas pequenas, sensação de estar sempre no limite. É comum que nem a própria pessoa nem a família relacionem isso a depressão.

Transtorno bipolar

No transtorno bipolar, os episódios depressivos se alternam com períodos de humor elevado, expansivo ou irritável — com aumento de energia, redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, aumento de gastos ou de impulsividade. Esses períodos nem sempre são percebidos como problema: muitas vezes são lembrados como fases boas, produtivas, e por isso não são relatados espontaneamente na consulta.

Essa distinção tem consequência prática direta. Um quadro bipolar tratado apenas como depressão pode não responder ao tratamento ou ter o curso alterado. Por isso a investigação de episódios prévios de humor elevado faz parte de toda avaliação de depressão, mesmo quando a queixa que trouxe a pessoa é exclusivamente depressiva.

Como é o tratamento

O tratamento é definido a partir do diagnóstico, do curso do quadro e da história de resposta a tratamentos anteriores. Pode envolver medicação, psicoterapia e orientação sobre fatores que influenciam diretamente a estabilidade — sono regular, uso de álcool e outras substâncias, rotina.

Uma parte importante do acompanhamento, sobretudo no transtorno bipolar, é o reconhecimento precoce dos sinais de um novo episódio. Aprender a identificar as próprias mudanças de sono, de energia e de ritmo permite intervir antes que o quadro se instale por completo — e isso é trabalho de consulta, feito ao longo do tempo.

Se você está passando por um momento de crise ou pensando em se machucar, procure ajuda imediatamente: ligue 188(Centro de Valorização da Vida, gratuito, 24 horas) ou procure o serviço de urgência mais próximo.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre depressão e transtorno bipolar?

Na depressão, os episódios são exclusivamente depressivos. No transtorno bipolar, existem também períodos de humor elevado ou irritável, com aumento de energia e redução da necessidade de sono. A diferença muda o tratamento, e por isso a investigação desses períodos é feita mesmo quando a queixa atual é de depressão.

Oscilar de humor durante o dia é bipolaridade?

Não necessariamente. Mudanças rápidas de humor ao longo do dia são comuns em outras condições — inclusive em quadros de ansiedade e em traços de personalidade — e não correspondem ao que se define como episódio no transtorno bipolar, que dura dias ou semanas. A avaliação médica é o que diferencia.

O tratamento é para sempre?

Depende do diagnóstico, do número de episódios e do curso do quadro. É uma decisão clínica, revista ao longo do acompanhamento, e conversada com você — não uma regra fixa.

Preciso fazer psicoterapia junto?

Em muitos casos a combinação de medicação e psicoterapia traz resultado melhor do que qualquer uma isolada. A indicação é feita caso a caso.