Psicogeriatria — saúde mental do paciente idoso
Saúde mental do paciente idoso: depressão, ansiedade, alterações de comportamento, distúrbios do sono e avaliação de queixas de memória.
A psicogeriatria é a área da psiquiatria dedicada ao paciente idoso. Não se trata apenas de atender pessoas mais velhas: é uma especialidade própria porque, depois de certa idade, os quadros psíquicos se apresentam de forma diferente, se confundem com doenças clínicas e reagem de outro modo às medicações.
Fiz especialização em psicogeriatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (IPq-FMUSP), e é uma das áreas em que mais atendo em Rio Verde.
Por que a avaliação do idoso é diferente
Uma depressão em uma pessoa de 70 anos frequentemente não aparece como tristeza. Aparece como desânimo atribuído à idade, como queixa de memória, como dores sem causa clínica definida, como perda de apetite, como um isolamento que a família interpreta como “jeito dele”. É comum que o quadro seja tratado como algo natural do envelhecimento — e depressão não é parte natural de envelhecer.
Ao mesmo tempo, sintomas psíquicos nessa faixa etária podem ter causa clínica: alterações da tireoide, deficiências vitamínicas, efeitos de medicações em uso, quadros neurológicos iniciais, dor crônica mal controlada. Distinguir o que é depressão, o que é início de um quadro demencial, o que é efeito de medicação e o que é uma combinação disso é o trabalho central da avaliação psicogeriátrica.
O que é avaliado na consulta
- Revisão completa das medicações em uso — inclusive as prescritas por outros médicos. É comum que parte dos sintomas venha da própria combinação de remédios, e a revisão pode ser tão importante quanto acrescentar um tratamento novo.
- Investigação de queixas de memória — o que a pessoa esquece, com que frequência, se percebe o próprio esquecimento e se isso já interfere nas atividades do dia a dia.
- Avaliação do sono — alterações do sono no idoso têm causas próprias e efeitos importantes sobre humor e cognição.
- Conversa com a família ou com o cuidador, quando o paciente autoriza. Muitas vezes quem convive percebe mudanças que a própria pessoa não relata.
- Exames complementares, quando indicados, para investigar causas clínicas associadas.
Quadros mais frequentes
Depressão no idoso, transtornos de ansiedade, alterações de comportamento (agitação, agressividade, desconfiança excessiva), distúrbios do sono, quadros confusionais e avaliação de queixas de memória e de quadros demenciais — incluindo a orientação de familiares e cuidadores sobre o manejo do dia a dia, que é parte do tratamento e não um complemento dele.
O consultório fica no térreo, com acesso adaptado e estacionamento na clínica — informação que costuma importar para quem vem acompanhando um familiar com dificuldade de locomoção.
Perguntas frequentes
Esquecimento é sempre sinal de demência?
Não. Queixas de memória são comuns e podem estar ligadas a depressão, ansiedade, alterações do sono, efeitos de medicações e condições clínicas — situações em que a memória melhora quando a causa é tratada. Também podem ser o sinal inicial de um quadro demencial. A diferenciação exige avaliação médica, e quanto mais cedo, mais opções de conduta existem.
Meu pai não aceita ir ao psiquiatra. O que fazer?
É uma situação frequente, e vale conversar sobre ela no agendamento. Em muitos casos, a resistência diminui quando a consulta é apresentada como uma avaliação geral de saúde — de sono, de memória, de disposição — e não como um rótulo. A família pode entrar em contato para orientação sobre como conduzir essa conversa.
A partir de que idade se considera atendimento psicogeriátrico?
Não há um corte rígido. A avaliação psicogeriátrica costuma ser indicada a partir dos 60 anos, mas o que define é o perfil do quadro e a presença de outras condições clínicas e medicações em uso, não a data de nascimento.
O acompanhante pode entrar na consulta?
Pode, com a autorização do paciente. Em psicogeriatria a presença de um familiar geralmente contribui bastante para a avaliação.
